A Década dos Afrodescendentes

Em sua Assembleia Geral de 2016, a Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou o Plano de Ação da Década dos Afrodescendentes nas Américas (2016–2025), reconhecendo que os povos afrodescendentes das Américas descendem de milhões de africanos que foram escravizados e transportados à força no contexto da prática desumana do tráfico transatlântico, entre os séculos XV e XIX.

O Plano de Ação delineia uma série de atividades-chave a fim de promover a conscientização sobre a situação dos afrodescendentes nas Américas e assegurar sua plena participação na vida social, econômica e política, bem como estabelece a comemoração anual do Dia Internacional da Memória das Vítimas da Escravidão e do Tráfico Transatlântico de Escravos.

Em fevereiro de 2018, os Estados membros instituíram a Semana Interamericana dos Afrodescendentes nas Américas, a fim de lembrar o legado da escravidão e do tráfico de escravos e suas consequências na vida dos afrodescendentes, além de promover maior consciência e respeito pela diversidade do patrimônio e da cultura dos povos de origem africana e sua contribuição para o desenvolvimento da sociedade.

Em celebração à Década Internacional dos Afrodescendentes nas Américas, e de acordo com o espírito da resolução, a OEA está destacando a influência dos afrodescendentes na formação de nossas sociedades mediante a apresentação de perfis de figuras historicamente renomadas que se sobressaíram em sua contribuição nacional ou hemisférica para as Artes e a Cultura, os Esportes, a Política, os Direitos Humanos e a Ciência, ou que com seu trabalho deram uma contribuição significativa para suas nações ou sua região.

A celebração acontece no âmbito da resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas que proclamou o período de 2015–2024 como a Década dos Afrodescendentes, citando a necessidade de fortalecer a cooperação nacional, regional e internacional em relação ao pleno gozo dos direitos econômicos, sociais, culturais e civis dos afrodescendentes, e a sua plena e igual participação em todos os aspectos da sociedade.


Luis Almagro Lemes
Secretário-Geral da OEA


Nestor Mendez
Secretário-Geral Adjunto da OEA

 

Carmen Platero

Carmen Platero

Data de nascimento: Cidade de La Plata, Província de Buenos Aires, Argentina
Data de nascimento:
3 de agosto de 1934

Carmen Platero foi uma dramaturga afro-portenha fundadora da Comédia Negra de Buenos Aires. Sua contribuição foi fundamental para a visibilidade da cultura afro-argentina. Seu primeiro espetáculo foi um monólogo: Tango para solo de mujer.

Junto com a irmã, Susana Platero, criou a icônica obra intitulada Calunga Andumba, que contava com textos de autores afro-argentinos e afro-latino-americanos e estreou em 1975.

As apresentações foram interrompidas em 1976 com o golpe militar, e Platero teve de se exilar até o retorno da democracia na Argentina. Depois de uma década, em 1987, com a irmã Susana, fundaram a citada Comédia Negra de Buenos Aires.

Destacamos sua participação na Terceira Conferência Mundial contra o Racismo, a Xenofobia e as Formas Correlatas de Intolerância (Durban, 2001), que transformou a história do movimento afro internacional. Na Argentina, potencializou a voz das organizações do movimento afro-argentino e afrodescendente, contribuindo para o seu desenvolvimento como movimento social.

Faleceu em 16 de março de 2020.

 

Isabel Ramírez Lino de Arana “Doña Catatu”

Isabel Ramírez Lino de Arana “Doña Catatu”

Data de nascimento: Livingston, Guatemala
Data de nascimento:
8 de novembro de 1927

Isabel Ramírez Lino de Arana, mais conhecida como “Dona Catatu” no centro urbano de Livingston (La Buga), na Guatemala, é uma mulher garífuna de 94 anos, que se casou com Eusebio Arana Arzú, com quem teve 10 filhos.

Mulher lutadora, trabalhou como parteira durante mais de sete décadas, ajudando a trazer ao mundo os filhos e as filhas de muitas famílias das diferentes culturas que existem em Livingston, Izabal.

Não há dados exatos sobre quantas crianças foram, mas estima-se que tenham sido entre 1400 e 1600 meninas e meninos do povo garífuna, assim como do povo q'eqchi, da comunidade hindu e da comunidade mestiça da cidade de Livingston.

Palavras emblemáticas de Dona Catatu como “Agradeço ao Senhor de Esquipulas por me dar permissão para não perder nenhuma criança durante um parto” marcam a humildade dessa bela mulher que, em todos aqueles anos, trabalhou sem qualquer intenção de lucrar com os seus pacientes.

Dona Catatu é um ícone na cidade de Livingston por sua humildade e dedicação às pessoas que um dia precisaram dela.
  

 

Viola Desmond

Viola Desmond

Data de nascimento: Halifax, Nova Escócia, Canadá
Data de nascimento:
6 de julho de 1914

Viola Desmond foi uma empresária afro-canadense e ativista dos direitos civis nascida em Halifax, Nova Escócia. Em 1946, nove anos antes do famoso protesto de ônibus da americana Rosa Parks, Viola enfrentou a segregação racial quando se recusou a sair do setor “exclusivo para brancos” de um cinema. Ela foi detida, presa e condenada, sem representação legal, por uma obscura acusação de evasão fiscal (no valor de um centavo). Viola e a comunidade negra apelaram à Suprema Corte provincial e, embora não tenham tido êxito, a sua rebeldia corajosa arrebatou a comunidade negra da Nova Escócia e ajudou a inspirar o movimento dos direitos civis no Canadá.

Em 2010, o governo da Nova Escócia pediu desculpas pela injustiça, e Viola recebeu um perdão póstumo do primeiro tenente-governador negro da Nova Escócia. Em 2018, o governo canadense nomeou Viola como Pessoa Histórica Nacional, e ela tornou-se a primeira mulher canadense a aparecer sozinha em uma nota de dinheiro — a nota de 10 dólares. Viola Desmond morreu em 7 de fevereiro de 1965.

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Barbarita Lara Calderón

Barbarita Lara Calderón

Data de nascimento: Esmeraldas, Equador
Data de nascimento:
5 de agosto de 1966

Ainda muito jovem, a afro-equatoriana Barbarita Lara Calderón surgiu como líder nas comunidades do Vale Chota–Mira e, aos 28 anos, fez parte do Movimento Juventude em Ação e Progresso, dedicado ao desenvolvimento de infraestrutura para serviços básicos na comunidade de Mascarilla. Suas ações refletiram um processo de transição e transformação política, social e econômica que estava ocorrendo no Equador — a reforma agrária e o primeiro boom petrolífero — e que afetava diretamente as referidas comunidades.

Nos anos 80, participou do Movimento Afro-Equatoriano de Conscientização (MAEC), de onde promoveu, compartilhou e divulgou informações sobre a identidade cultural étnica afro-equatoriana, bem como a história dos afrodescendentes no Equador, em bairros urbanos marginalizados de Quito com uma população migrante afro-chotenha e afro-esmeraldenha. Essa etapa permitiu que se aprofundasse nas suas raízes e compartilhasse os seus conhecimentos.

Em 2006, foi eleita presidente da Coordenadoria Nacional de Mulheres Negras do Equador (CONAMUNE), movimento social orientado à luta pelos direitos e demandas das mulheres afrodescendentes do país, do qual é membro fundador.

Com o trabalho de etnoeducação realizado por Barbarita, em 2012 publica-se uma série de textos etnoeducativos sobre a história do afro-equatoriano para ser incorporada à malha educacional das escolas e instituições educacionais do Vale Chota-Carchi. Os textos são intitulados “Origens. Módulos de etnoeducação afro-equatoriana”.

É formada em Pedagogia, com especialização em História e Geografia, pela Universidade Central do Equador, e tem Diploma Superior em Estudos da Cultura, com menção Diáspora Afro-Andina, pela Universidade Andina Simón Bolívar.

 

Haydee Massoni Cano

Haydee Massoni Cano

Data de nascimento: Lima, Peru
Data de nascimento:
5 de novembro de 1942

Fundadora de restaurantes populares autogeridos, atriz de teatro, comunicadora, advogada e ativista afro-peruana. Desde muito jovem, sentiu a discriminação racial e as barreiras que ela implicava para o seu desenvolvimento. Apesar disso, envolveu-se ativamente no trabalho comunitário por sua vocação de serviço. Em paralelo ao cuidado da própria família, atuou como delegada de saúde comunitária. Em 1978, envolveu-se na fundação de restaurantes populares autogeridos. Por volta de 1992, foi convidada para entrar no mundo do teatro, onde sente que começou seu ativismo afrodescendente, por ser uma ferramenta que lhe permitiu fortalecer sua autoestima e identidade. A partir daquela experiência, envolveu-se com organizações de afrodescendentes, chegando a fundar a Pastoral Afro-Peruana de Comas e depois a Pastoral Afro-Peruana de Callao. Em 2016, formou-se advogada e até hoje continua trabalhando como ativista afro-peruana, atriz de teatro e promotora social.

 

Thelma King Harrison

Thelma King Harrison

Data de nascimento: Cidade do Panamá, República do Panamá
Data de nascimento:
31 de janeiro de 1921

Thelma King Harrison, de ascendência jamaicana por parte de mãe e inglesa por parte de pai, foi professora, advogada, jornalista e defensora das lutas dos destituídos, pela igualdade de direitos e pela soberania panamenha.

A sua condição de pobreza serviu de estímulo para que se educasse. Aprendeu inglês de forma autodidata para comunicar-se com a avó jamaicana.

Primeira mulher vice-cônsul (Liverpool-1957) e deputada pela província de Colón (1960), núcleo da comunidade afrodescendente, orientou projetos de interesse social e patriótico, como a designação de “Ponte das Américas” para a ponte sobre o Canal do Panamá. Apoiou os trabalhadores na grande greve da banana (1962) e impulsionou a campanha internacional pela soberania como parte de sua participação no movimento popular de 9 de janeiro de 1964, que desencadeou a etapa ab-rogatória nas relações Panamá–Estados Unidos. Foi detida no golpe militar de 1969 e exilada até 1978.

Faleceu em 7 de novembro de 1993.

 

Lindberg Oswaldo Valencia Zamora

Lindberg Oswaldo Valencia Zamora

Data de nascimento: Esmeraldas, Equador
Data de nascimento:
5 de agosto de 1966

Lindberg Oswaldo Valencia Zamora nasceu em Esmeraldas, Equador, em 5 de agosto de 1966. É músico marimbeiro, intérprete, educador e pesquisador de renome. Atualmente leciona uma cátedra sobre marimba na Faculdade de Artes da Universidade Central e também é instrutor de música afro da Casa de las Bandas de Quito.

Valencia Zamora estudou pedagogia musical na Universidade de Manabí, antropologia na Universidade Politécnica Salesiana, e Educação Física na Universidade Luis Vargas Torres.

Destacou-se em inúmeras atividades artísticas e tocou com várias bandas, dentre elas, Tierra Caliente, La Katanga, Z-Mar, Chigualeros, Azuquito, Manglar, Azúcar Negra, La Grupa, Ecuatoriales Juyungo e Ubuntu.  

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Walter Ferguson

Walter Ferguson

Data de nascimento: Guabito, Panamá
Data de nascimento:
7 de maio de 1919

Nasceu em Guabito (Panamá) em 7 de maio de 1919, mas logo adotou a nacionalidade costa-riquenha.

Insigne cantor e compositor de Limón e criador do calipso na Costa Rica, Walter Ferguson completa 102 anos neste 7 de maio. Com mais de 150 canções compostas, embora apenas 40 tenham sido gravadas, o mestre Ferguson criou, ao longo da sua vida, um legado de expressão autêntica da cultura afro-caribenha.

Seu aniversário coincide com a celebração do Dia Nacional do Calipso Costa-Riquenho, desde que o gênero musical foi reconhecido, em 2018, como patrimônio cultural intangível da Costa Rica.

No exuberante Caribe, o pequeno Walter cresceu rodeado pela natureza e pelo mar, que lhe deram a inspiração perfeita para criar dezenas de canções que um século depois o catapultaram a referência da cultura caribenha da Costa Rica.

Por seu legado cultural e por seu século de vida dedicado à música caribenha, Walter Ferguson é o calipsoniano maior da Costa Rica.

 

Lucía Asué Mbomío Rubio

Lucía Asué Mbomío Rubio

Data de nascimento: Madri, Espanha
Data de nascimento:
1981

Lucía Asué Mbomío Rubio é jornalista e escritora, nascida em Madri, de mãe de Segóvia, Espanha, e pai de Niefang, Guiné Equatorial.

Trabalha como repórter em programas como Españoles en el Mundo (TVE1), Madrid Directo (Telemadrid), El Método Gonzo (Antena 3) ou, atualmente, em Aquí la Tierra (TVE1). Para a televisão pública da Guiné Equatorial (TVGE) fez reportagens sobre HIV, gravidez precoce ou empoderamento de pessoas com diversidade funcional, em colaboração com organismos como UNICEF, FNUAP e a ONG local Biriaelat.

Também dirigiu e roteirizou documentários para a série televisiva En Tierra de los Nadie, da Movistar, registrando o trabalho de organizações como Médicos do Mundo, Missão Internacional de Justiça ou a Organização Internacional para Migrações, e tratando de temas como a reconstrução do Haiti ou a exploração sexual de crianças no Camboja.

Atua, ademais, como professora e ativista, lecionando jornalismo em escolas de mestrado, ministrando oficinas sobre meios de comunicação e afrodescendência, e escrevendo para a revista digital Afroféminas.

 

Vicente Guerrero

Vicente Guerrero

Data de nascimento: Tixtla, Estado de Guerrero, México
Data de nascimento:
9 de agosto de 1782

Vicente Guerrero nasceu em 9 de agosto de 1782, em Tixtla, Estado de Guerrero. Primeiro presidente mexicano de origem africana, lutou para acabar com a escravidão, tecendo laços com as comunidades indígenas.

Por preconceitos raciais, foi alvo de insultos à sua capacidade intelectual; porém, usou a discriminação como voz para alcançar dignidade e liberdade para os mexicanos, com o slogan “Mi patria es primero” (O meu país vem primeiro).

Seu trabalho multifacetado marcou as esferas social, militar e política da primeira metade do século XIX — figura de resistência e revolta, consumador da Independência do México em 1821, defensor incansável de um sistema republicano mais justo e mais livre.

Em 1829 emitiu o Decreto de Abolição da Escravatura, e conseguiu o desaparecimento do sistema de castas da legislação. Posteriormente, em 1833, foi declarado Benemérito da Pátria.

 

Eulalia Bernard Little

Eulalia Bernard Little

Local de nascimento: Puerto Limón, Costa Rica
Data de nascimento:
1935

Eulalia Bernard Little foi a primeira mulher afro-costa-riquenha a publicar na Costa Rica. Com seus escritos, contribuiu para proteger e transmitir o patrimônio cultural afrodescendente. Também recebeu inúmeros reconhecimentos por seu trabalho em defesa dos direitos das mulheres e das minorias. É a fundadora da Cátedra de Estudos da Cultura Afro-Americana da Universidade da Costa Rica e professora de literatura afro-caribenha em universidades dos Estados Unidos e do Canadá.

Bernard foi adida cultural na Jamaica e também trabalhou na ONU como pesquisadora dos trabalhos criativos dos negros na América.

Eulalia Bernard publica suas obras em espanhol, inglês e mekatelyu (crioulo limonês). Nelas, resgata a riqueza de sua terra natal, Limón, percebendo sua província como depositária da memória ancestral do povo afrodescendente. Sua obra tem uma visão afrocêntrica, centrada nas relações existentes entre a América e a África.

 

Marielba Herrera Reina

Marielba Herrera Reina

Local de nascimento: São Salvador, El Salvador
Data de nascimento:
15 de dezembro de 1976

Marielba Herrera Reina é antropóloga afro-salvadorenha, professora universitária e consultora cultural. Pesquisou e publicou livros e artigos sobre religiosidade popular, identidades de povos indígenas e afrodescendentes em El Salvador em diferentes espaços latino-americanos.

Em 2019, foi selecionada para participar do Programa de Visitantes Internacionais (IVLP): “Participação de minorias e ONGs no processo democrático”, que foi patrocinado pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos por intermédio da Seção de Assuntos Públicos da Embaixada dos Estados Unidos.

Pertence à Rede de Mulheres Afro-Latino-Americanas, Afro-Caribenhas e da Diáspora. Atualmente é presidente e fundadora da Rede de Estudos Afro-Centro-Americanos, organização que tem por objetivo auxiliar o setor acadêmico e a população afro-centro-americana na difusão do legado africano na diáspora e no reconhecimento da produção das pesquisas dos intelectuais orgânicos afro-centro-americanos.