Discursos

EMBAIXADOR VALTER PECLY MOREIRA, REPRESENTANTE PERMANENTE DO BRASIL JUNTO À OEA
NA QUALIDADE DE SECRETARIA PRO TEMPORE DO MERCOSUL E EM NOME DE ARGENTINA, PARAGUAI E URUGUAI, NA CERIMÔNIA DE CONCLUSÃO DO PROCESSO DE CONCILIAÇÃO DO DIFERENDO TERRITORIAL ENTRE BELIZE E GUATEMALA

Setembro 30, 2002 - Washington, DC



Washington, em 30 de setembro de 2002

É com grande satisfação que as nações que integramos o MERCOSUL manifestamos a uma só voz nosso apoio ao processo de conciliação entre Belize e Guatemala, nesta cerimônia emblemática que procura marcar a culminação de mais uma etapa na solução do diferendo fronteiriço entre os dois países.
Há mais de cem anos, Argentina, Paraguai, Uruguai e Brasil vimos adotando a via da negociação como norma para a solução de nossas controvérsias territoriais, não só entre nós próprios, mas também com os numerosos vizinhos que temos na América do Sul. Com isso, firmamos uma tradição em nossas diplomacias de irrestrito respeito aos princípios fundamentais do Direito Internacional, que as Cartas da Organização dos Estados Americanos e das Nações Unidas consagram.
Por termos também valorizado adequadamente esse aspecto de nossas respectivas atuações externas é que pudemos construir nas últimas duas décadas esta associação sólida que nos integra: o MERCOSUL – voltado para a cooperação e o progresso e pautado pela confiança e pelo desejo de aproximar cada vez mais os povos do sul do continente.
É com esse sentimento e com essa perspectiva que desejamos possa concluir-se o processo negociador em que se engajaram Belize e Guatemala, nossos vizinhos de hemisfério, pelos quais nutrimos profundos sentimentos de amizade e solidariedade.
Pela conclusão dessa etapa, deixamos registro de nosso reconhecimento aos Conciliadores, Sir Shridath Ramphal e Dr. Paul Reichler, pelo trabalho sério e dedicado que empreenderam ao longo desses últimos dois anos.
Também a Organização dos Estados Americanos, na pessoa de seu Secretário Geral, Dr. César Gaviria, merece cumprimentos. Sempre acreditamos que, como organismo essencialmente político, a OEA tem precisamente nesse tipo de atividade – a de propiciadora do diálogo e entendimento entre os povos e governos – uma de suas funções prioritárias, que pode e deve ser valorizada.
Esperamos, finalmente, que os Governos e os povos de Belize e Guatemala, ao reconhecer seus melhores e mais legítimos interesses, possam concluir em algumas semanas esse processo e iniciar juntos uma nova etapa em suas relações.
Muito obrigado.