Jornal do Brasil
EUA atacam corrupção
Envolvidos em escândalos não entrarão no país
EFE
Fox (D) elogiou o projeto de Bush que beneficiará imigrantes ilegais
Monterrey (México), 13 de janeiro de 2004 - As nações
americanas resistiram à proposta dos Estados Unidos de punir governos
corruptos, enquanto o presidente George Bush tenta ganhar amigos e isolar
rivais na Cúpula Extraordinária das Américas, aberta ontem em Monterrey, no
México.
Enquanto espera que os 34 líderes no encontro concordem com
a sanção contra os governos mais corruptos da região, que seriam barrados de
futuras cúpulas, Bush anunciou que os EUA impedirão a entrada em território
americano de qualquer pessoa que estiver envolvida em casos de corrupção
pública em seus países.
O anúncio tem como objetivo restringir a capacidade de
movimentação dos corruptos e ''fortalecer as instituições democráticas e os
sistemas de livre mercado''.
Os atingidos pela medida, que entra em vigor imediatamente,
serão indivíduos cujas ações ''tenham efeitos adversos graves nos interesses
nacionais dos Estados Unidos''.
Fontes da Casa Branca afirmam, no entanto, que o anúncio da
medida ''não está diretamente relacionado'' com a realização da cúpula em
Monterrey.
Com a decisão, estarão proibidos de entrar nos EUA tanto as
pessoas envolvidas em casos de malversação de fundos públicos, suborno e
prevaricação quanto ''as mulheres, os filhos e os parentes dependentes das
pessoas citadas que sejam beneficiárias de qualquer artigo com valor monetário
ou outros benefícios obtidos por estas''.
A proposta de punir governos corruptos, apresentada ontem,
nasceu fadada ao fracasso. O ministro de Relações Exteriores do Canadá, Bill
Graham, disse que encontrou ''muita resistência'' porque ela é muito vaga e
difícil de ser aplicada.
- Todos os países têm um pouco de corrupção, inclusive o
nosso - admitiu Graham. - Quem vai determinar o critério para isso e quem é a
pessoa que vai decidir se um país é convidado para uma cúpula ou não?
Além de muitos países se oporem à criação da Área de Livre
Comércio das Américas (Alca), o sentimento antiamericano vem crescendo na
América Latina - alimentado pela oposição à invasão dos EUA ao Iraque. Dessa
maneira, muitos novos líderes estão abertamente desafiando as políticas de
Washington.
A cúpula pode ser um teste para o esforço de Bush em
recuperar os antigos aliados estrangeiros que se opuseram à invasão do Iraque.
O planos de regularização da situação de milhões de
imigrantes ilegais nos EUA recebeu ontem elogios do presidente do México,
Vicente Fox, que participou de uma coletiva à imprensa com Bush.
Mas apesar do apoio à iniciativa, vista por muitos como uma
estratégia política de Bush, Fox uniu-se ontem ao primeiro-ministro canadense,
Paul Martin, para afirmar que a intensificação de medidas antiterror, como o
aumento de controle nas fronteiras, pode atrapalhar a circulação de mercadorias
e pessoas pela América do Norte.
Martin disse que as fronteiras ''têm de estar abertas para
que as pessoas possam circular'', enquanto Fox alertou para o fato de que
segurança e crescimento econômico têm de receber a mesma importância.
Na manhã de ontem, antes da chegada de Bush, e de seu
secretário de Estado, Colin Powell, o esquema de segurança em Monterrey era
bastante rigoroso. O acesso a um hotel de luxo, onde está sendo realizada a
maior parte das reuniões bilaterais entre os governantes, estava fechado,
inclusive para a imprensa. Os controles de entrada são exaustivos, com
cachorros farejando equipes de repórteres e fotógrafos e minuciosas checagens
pessoais.
Aproximadamente 4 mil agentes de segurança trabalham em toda
a cidade, a 950 quilômetros da Cidade do México, capital do país.
Na manhã de ontem, quando as proximidades do Parque
Fundidora - onde está o centro cultural que recebe a cúpula - estava deserto,
100 jovens da chamada Coordenadoria de Apoio Mútuo se muniam de máscaras de gás
e aerossol antilacrimogêneo para a marcha pacífica de protesto. O ponto de
encontro da manifestação era longe do Parque Fundidora, mas ainda assim
policiais acompanhavam tudo à distância.
- A Organização dos Estados Americanos (OEA) é um braço
armado do governo dos EUA, com o que pretendem garantir a implantação e
perpetuação do capitalismo através do livre comércio - leu um dos membros da
Coordenadoria, de tendência libertária. |